Como tudo começou, segundo Vina:
"Tom, um dia, de volta da montanha, chegou à minha casa, na rua Henrique Dumont, sentou-se ao meu lado e, depois de um papo manso, pegou meu vilão e pôs-se a tocar um sambinha que logo me alertou o ouvido...
Tom repetiu-se umas dez vezes. Era uma graça total, como um tecido melancólico e plangente; e bastante "chorinho lento" no meu espírito. Eu fiquei de saída com a melodia no ouvido, e vivia a cantarolá-la dentro de casa, a espera de uma deixa para a poesia. Aquilo, sim, me parecia uma música realmente nova, original, inteiramente diversa de tudo que viera antes dela, mas tão brasileira quanto qualquer choro do Pixinguinha ou samba de Cartola. Um samba todo em voltas, onde cada compasso era uma queixa de amor, cada nota uma saudade de alguém longe.
Mas a letra não vinha, (...) eu já estava ficando furioso, pois Tom, embora não me telefonasse reclamando nada, estava esperando pelo resultado.
Uma manhã, depois da praia, subitamente a revolução chegou. Fiquei tão contente que cheguei a dar um berro de alegria, para grande susto de minhas duas filhinhas (...) Queria, depois dos sambas de Orfeu, apresentar ao meu parceiro uma letra digna de sua nova música; pois eu realmnete a sentia nova, caminhando numa direção a que não saberia dar nome ainda, mas cujo nome já estava implícito na criação. Era realmente a bossa nova que nascia, a pedir apenas na sua interpretação, a divisão que João Gilberto descobriria logo depois.
Intitulei-o Chega de Saudade recorrendo a um dos seus versos...
["Diário Carioca", 29/01/1965]
sábado, 7 de novembro de 2009
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Soneto de Aniversário
Hoje, aniversário de Vinícius de Moraes, nada melhor do que este Soneto de Aniversário, escrito pelo próprio Poetinha:
Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.
Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.
Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.
E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.
Vinícius de Moraes
Rio de Janeiro, 1942
Para quem quiser ouvir suas composições e histórias, hoje farei um show em homenagem a Vinícius de Moraes, no All of Jazz:
Como dizia o Poeta
Tributo a Vinícius de Moraes
19 de outubro – 22h
All of Jazz - http://www.allofjazz.com.br/
Rua João Cachoeira, 1366
(11) 3849 1345
R$20,00 (R$10,00 consumíveis)
Ficha Técnica
Ana Gilli - http://www.myspace.com/anagillicantora/
Leandro Brenner (violão e direção musical)
Fernando Silveira (percussão)
Marina Franco (leitura de poemas)
Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.
Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.
Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.
E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.
Vinícius de Moraes
Rio de Janeiro, 1942
Para quem quiser ouvir suas composições e histórias, hoje farei um show em homenagem a Vinícius de Moraes, no All of Jazz:
Como dizia o Poeta
Tributo a Vinícius de Moraes
19 de outubro – 22h
All of Jazz - http://www.allofjazz.com.br/
Rua João Cachoeira, 1366
(11) 3849 1345
R$20,00 (R$10,00 consumíveis)
Ficha Técnica
Ana Gilli - http://www.myspace.com/anagillicantora/
Leandro Brenner (violão e direção musical)
Fernando Silveira (percussão)
Marina Franco (leitura de poemas)
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Vinícius de Moraes
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Ouça o programa pelo MySpace!
Olá!
O Programa de rádio "São Paulo de todos nós" (do qual eu falei no último post) foi uma delícia! Bem descontraído, com assuntos interessantes para todos!
A minha participação, ao lado dos grandes parceiros Leandro Brenner e Fernando Silveira, pode ser ouvida pelo MySpace: http://www.myspace.com/anagillicantora
São 2 arquivos de muita música, teatro e, é claro, Vinícius!!!
sábado, 3 de outubro de 2009
Ana Gilli e Parceiros na Rádio Tupi AM 1150
Show "COMO DIZIA O POETA" na Rádio TUPI
Participei do programa “São Paulo de todos nós” na Rádio Tupi AM 1150 KHz, no sábado, 3 de outubro, quando também foi inaugurado seu novo estúdio!
A gravação está disponível no site www.natalini.com.br/podcastFoi uma conversa deliciosa! Vale a pena conferir.
Além disso, o blog Cult Cultura também fez uma cobertura do programa. É só acessar: www.cultcultura.com.br
Todas as fotos estão disponíveis no www.flickr.com/photos/cultcultura/sets/72157622526032606/
Beijos,Ana Gilli
www.anagilli.com.brwww.myspace.com/anagillicantorawww.twitter.com/anagilliterça-feira, 29 de setembro de 2009
TV Cultura homenageia Vinícius e Baden
"Mosaicos Musicais"
De terça (29/09) pra quarta (30/09), às 0h10, a TV Cultura homenageia o violonista Baden Powell e Vinícius de Moraes. A Atração tb traz interpretações de sucessos de Vinícius e Baden feitas por Carlinhos Lyra, Toquinho e outros. IMPERDÍVEL!
De terça (29/09) pra quarta (30/09), às 0h10, a TV Cultura homenageia o violonista Baden Powell e Vinícius de Moraes. A Atração tb traz interpretações de sucessos de Vinícius e Baden feitas por Carlinhos Lyra, Toquinho e outros. IMPERDÍVEL!
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Sobre Viver e Morrer "Sem Medo"
Para mim esta música é um resumo de tudo.
Postagem em homenagem ao meu amigo eterno Ivan Kraut
Sem Medo
Composição: Vinícius de Moraes e Toquinho
Como é que pode, a gente ser menino
Ter sua coragem, traçar seu destino
Sem pular o muro, trepar no coqueiro
Ir no quarto escuro, mãe
Me mete medo, mãe
Me mete medo, mãe
Me mete medo
O bicho te pega, boi da cara preta
Deus te castiga, medo de careta
Boi da cara preta, mãe
Me mete medo, mãe
Me mete medo, mãe
Me mete medo
Mas atravesse o escuro sem medo
Atravesse o escuro sem medo
Atravesse o escuro sem medo
De repente a gente começa a crescer
Quer uma mulher que não pode ser
O pai quer matar, a mãe quer morrer
Não dá pra ganhar, não dá pra perder
Não dá
A mulher se joga do alto do edificio
Porque o mais fácil fica o mais dificil
Fica o mais dificil
Mas atravesse a vida sem medo
Atravesse a vida sem medo
Atravesse a vida sem medo
O perigo existe, faz parte do jogo
Mas não fique triste, que viver é fogo
Veja se resiste, comece de novo
Comece de novo, comece de novo
Ao cruzar a rua você está arriscando
Pode estar na lua, pode estar amando
Passa um caminhão, cruza uma perua
O cara tá na dele, você tá na sua
Você tá na sua, você tá na sua
Mas atravesse a rua sem medo
Atravesse a rua sem medo
Atravesse a rua sem medo
Chega um belo dia de qualquer semana
Alguém bate na porta, é um telegrama
Ela está chamando, é um telegrama
Ela está chamando, pra uns ela vem cedo
Pra outros vem tarde
É que cedo ou tarde, ela vem de repente
Chega pro covarde, chega pro valente
Só tem que ninguém gosta de ir na frente
Gosta de ir na frente
Gosta de ir na frente
Gosta de ir na frente
Mas atravesse a morte sem medo
Atravesse a morte sem medo
Atravesse a morte sem medo
Álbum "Vinicius & Toquinho"
Philips . 1974
Postagem em homenagem ao meu amigo eterno Ivan Kraut
Sem Medo
Composição: Vinícius de Moraes e Toquinho
Como é que pode, a gente ser menino
Ter sua coragem, traçar seu destino
Sem pular o muro, trepar no coqueiro
Ir no quarto escuro, mãe
Me mete medo, mãe
Me mete medo, mãe
Me mete medo
O bicho te pega, boi da cara preta
Deus te castiga, medo de careta
Boi da cara preta, mãe
Me mete medo, mãe
Me mete medo, mãe
Me mete medo
Mas atravesse o escuro sem medo
Atravesse o escuro sem medo
Atravesse o escuro sem medo
De repente a gente começa a crescer
Quer uma mulher que não pode ser
O pai quer matar, a mãe quer morrer
Não dá pra ganhar, não dá pra perder
Não dá
A mulher se joga do alto do edificio
Porque o mais fácil fica o mais dificil
Fica o mais dificil
Mas atravesse a vida sem medo
Atravesse a vida sem medo
Atravesse a vida sem medo
O perigo existe, faz parte do jogo
Mas não fique triste, que viver é fogo
Veja se resiste, comece de novo
Comece de novo, comece de novo
Ao cruzar a rua você está arriscando
Pode estar na lua, pode estar amando
Passa um caminhão, cruza uma perua
O cara tá na dele, você tá na sua
Você tá na sua, você tá na sua
Mas atravesse a rua sem medo
Atravesse a rua sem medo
Atravesse a rua sem medo
Chega um belo dia de qualquer semana
Alguém bate na porta, é um telegrama
Ela está chamando, é um telegrama
Ela está chamando, pra uns ela vem cedo
Pra outros vem tarde
É que cedo ou tarde, ela vem de repente
Chega pro covarde, chega pro valente
Só tem que ninguém gosta de ir na frente
Gosta de ir na frente
Gosta de ir na frente
Gosta de ir na frente
Mas atravesse a morte sem medo
Atravesse a morte sem medo
Atravesse a morte sem medo
Álbum "Vinicius & Toquinho"
Philips . 1974
O Poeta do "Poetinha"
O poeta
A vida do poeta tem um ritmo diferente
É um contínuo de dor angustiante.
O poeta é o destinado do sofrimento
Do sofrimento que lhe clareia a visão de beleza
E a sua alma é uma parcela do infinito distante
O infinito que ninguém sonda e ninguém compreende.
Ele é o etemo errante dos caminhos
Que vai, pisando a terra e olhando o céu
Preso pelos extremos intangíveis
Clareando como um raio de sol a paisagem da vida.
O poeta tem o coração claro das aves
E a sensibilidade das crianças.
O poeta chora.
Chora de manso, com lágrimas doces, com lágrimas tristes
Olhando o espaço imenso da sua alma.
O poeta sorri.
Sorri à vida e à beleza e à amizade
Sorri com a sua mocidade a todas as mulheres que passam.
O poeta é bom.
Ele ama as mulheres castas e as mulheres impuras
Sua alma as compreende na luz e na lama
Ele é cheio de amor para as coisas da vida
E é cheio de respeito para as coisas da morte.
O poeta não teme a morte.
Seu espírito penetra a sua visão silenciosa
E a sua alma de artista possui-a cheia de um novo mistério.
A sua poesia é a razão da sua existência
Ela o faz puro e grande e nobre
E o consola da dor e o consola da angústia.
A vida do poeta tem um ritmo diferente
Ela o conduz errante pelos caminhos, pisando a terra e olhando o céu
Preso, eternamente preso pelos extremos intangíveis.
Rio de Janeiro, 1933
Do primeiro livro do poeta: "O Caminho para a distância"
A vida do poeta tem um ritmo diferente
É um contínuo de dor angustiante.
O poeta é o destinado do sofrimento
Do sofrimento que lhe clareia a visão de beleza
E a sua alma é uma parcela do infinito distante
O infinito que ninguém sonda e ninguém compreende.
Ele é o etemo errante dos caminhos
Que vai, pisando a terra e olhando o céu
Preso pelos extremos intangíveis
Clareando como um raio de sol a paisagem da vida.
O poeta tem o coração claro das aves
E a sensibilidade das crianças.
O poeta chora.
Chora de manso, com lágrimas doces, com lágrimas tristes
Olhando o espaço imenso da sua alma.
O poeta sorri.
Sorri à vida e à beleza e à amizade
Sorri com a sua mocidade a todas as mulheres que passam.
O poeta é bom.
Ele ama as mulheres castas e as mulheres impuras
Sua alma as compreende na luz e na lama
Ele é cheio de amor para as coisas da vida
E é cheio de respeito para as coisas da morte.
O poeta não teme a morte.
Seu espírito penetra a sua visão silenciosa
E a sua alma de artista possui-a cheia de um novo mistério.
A sua poesia é a razão da sua existência
Ela o faz puro e grande e nobre
E o consola da dor e o consola da angústia.
A vida do poeta tem um ritmo diferente
Ela o conduz errante pelos caminhos, pisando a terra e olhando o céu
Preso, eternamente preso pelos extremos intangíveis.
Rio de Janeiro, 1933
Do primeiro livro do poeta: "O Caminho para a distância"
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