segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Para todas as idades

No começo do mês, o Rolando Boldrin, em seu programa "Sr. Brasil", na TV Cutura, fez um especial com repertório de Vinícius de Moraes.

O trio formado por Laércio Ilhabela, Carlos Limachoro e Mariana de Moraes, neta de Vinícius, apresentaram belíssimas composições do artista. Foi de emocionar!

Quem não conseguiu ver, dá pra ter uma ideia de como foi, acessando os sites desses músicos mais que especiais:

Laércio Ilhabela: www.laercioilhabela.com.br

O Programa do Rolando Boldrin é apresentado todas as quintas, às 22h. Quem puder assistir, é pura cultura! ;)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Chega de Saudade! Voltei!

Depois de um bom tempo, volto a escrever neste blog. Criei esse espaço em 2009 e, no primeiro texto, escrevi sobre meu querido Vininha, Vinícius de Moraes. Depois de 4 anos fazendo um show com repertório deste reconhecido artista, confesso que eu me sinto íntima dele, não como a 10ª esposa (pois é, as mulheres se derretiam por Vinícius!), mas como uma amiga, parceira, filha...

Estava lendo meu primeiro post e gostaria de relembrar algumas partes e compartilhar com vocês:

"Sempre estive próxima à Vinícius. Em casa desde cedo sua parceria com Tom Jobim era ouvida, sentida, interpretada.

Depois de quase trinta anos de vida, o encontrei num momento de sensibilidade artística. Havia trabalhado, como atriz e cantora, improvisação teatral com os textos de Clarice Lispéctor na EAD - Escola de Arte Dramática da USP. Neste projeto, dirigido por Cristiane Paoli Quito, percebi quanto o poder da palavra é essencial. Havia a possibilidade de se criar um enredo com base na improvisação, na ligação entre palavras de textos diferentes, mas de um mesmo autor.

Numa tarde, senti Vinícius. E de alguma forma, ele também me sentiu e me tocou. Eu soube que tinha que cantá-lo, mas não como sempre foi cantado. Tinha que improvisar suas poesias e músicas numa só voz.

Este foi o começo deste trabalho do qual me orgulho muito: "Como dizia o poeta", que comecei ao lado de uma grande amiga e jornalista, Marina Franco.

O que mais nos encantou foi a paixão do poeta... Como ele se apaixonou! Suas palavras escancaram esta verdade. Outro destaque que nos chamou a atenção foi a amizade que fazia questão de reforçar, animar, deixar crível ao mundo. Um amante e um amigo foi o que encontramos.

Já estávamos apaixonadas quando encontramos Leandro Brenner, grande violonista gaúcho que trouxe toda uma vitalidade às composições de Vinícius com seus modernos e sensíveis arranjos.

Muitos parceiros estão agora acrescentando suas experiências e talentos ao trabalho : Fernando Silveira (grande percussionista) Livia Camargo (encantadora cantora de atriz) e a cada dia que passa, este projeto ganha vida nova.

Infinito ele é, porque infinito é Vinícius.

Esperamos poder levar sua arte a todos que a apreciam e ensinar aos jovens o quanto que o fundador da bossa nova ainda tem para transformar a Música Popular Brasileira".

Hoje, 14 de fevereiro de 2011, o projeto "Como Dizia o Poeta" está com grandes objetivos e grandes parceiros se juntaram a nós, como o Fil Caporali, jovem e talentosíssimo baixista, o Bruno Tessele, batera fenomenal e o Cult Cultura, empresa de marketing cultural que acredita na gente desde o começo!

Pretendo colocar um post por semana, aqui. Muitas novidades por aí!

Obrigada a todos pelas boas energias!!!

Ana Gilli

domingo, 8 de agosto de 2010

"Amigos a gente não faz, recenhece-os" como dizia o poeta.

Ontem me encontrei com amigos queridos, amigos de conheci ha um tempo atrás e que sei que reconhecerei para sempre não importa o tempo que possamos passar separados.

Sinto que amizade é isso, um eterno reconhecer o conhecido.

Para os amigos Cristina Medina, Gustav e Vitor Moreno, umas palavras de Vininha, o poeta que tanto valorizou a amizade.

Soneto do Amigo

"Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que resurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contém o olhar amigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano

O amigo, um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho da minha alma multiplica"

(Vinicius de Moraes)

http://www.youtube.com/watch?v=IcdEJtMZC44&feature=related

vídeo do you tube sobre Vinicius de Moraes.
Paquerando um pouco a vida do poetinha da paixão.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Um Ministro de Primeira Classe

Um Diplomata Boêmio.

Vinicius de Moraes era obrigado a cantar de paletó e gravata!

Foi por causa deste seu cargo, pesado para um poetinha tão delicado, que Vinicius conheceu grandes nomes da literatura, da música, do cinema e da política do mundo inteiro. Vininha não tinha muito do que reclamar. Apesar da responsabilidade que carregava como diplomata, não deixava de varar noites escrevendo e compondo sua arte junto de seus infinitos parceiros.

Mas o golpe que lhe deram foi duro, junto com a dita também tão dura Ditadura Militar.

No final de 1968 foi afastado da carreira diplomática, sendo aposentado compulsoriamente pelo Ato Institucional número 5. O motivo foi uma de suas maiores paixões, a boemia. A "Justiça" dizia que um diplomata não podia fazer música, tocar em bares, fumar e beber como um boêmio.

Mais uma vez, Vinicius sofreu por se entregar imensamente a uma paixão.

Irônico foi o presente que lhe foi dado no ano em que completa os 30 anos de morte. Vinicius foi nomeado em Fevereiro de 2010, pela Câmara do Deputados Brasileira "Ministro de Primeira Classe" dos negócios estrangeiros.

Também, é claro, agora que as Olimpíadas e a Copa estão aqui, na cara do gol brasileiro, nada melhor do que liberar a caipirinha e valorizar os negócios internacionais às custas da nossa tão "em alta de valores" cultura brasileira.

Fica aqui uma canção que Vininha fez em homenagem aos seus colegas de "direito", como um agradecimento ao seu novo título de "primeira classe":


SABE VOCÊ
(Vinicius de Moraes e Carlos Lyra)


Você é muito mais que eu sou
Está bem mais rico do que estou
Mas o que eu sei você não sabe
E antes que o seu poder se acabe
Eu vou provar como e por que
Eu sei, eu sei mais que você


Sabe você o que é o amor? Não sabe, eu sei
Sabe o que é um trovador? Não sabe, eu sei
Sabe andar de madrugada tendo a amada pela mão
Sabe gostar? Qual! Sabe nada, sabe não


Você sabe o que é uma flor? Não sabe, eu sei
Você já chorou de dor? Pois eu chorei
Já chorei de mal de amor, já chorei de compaixão
Quanto a você, meu caramarada
Qual, o que, não sabe não


E é por isso que eu lhe digo, e com razão
Que mais vale ser mendigo que ladrão
Sei que um dia há de chegar, e este seja como for
Em que você para mendigar, só mesmo o amor


Você pode ser ladrão quanto quiser
Mas não rouba o coração de uma mulher
Você não tem alegria, nunca fez uma canção
Por isso a minha poesia, ah ah, você não rouba não
Ah ah, você não rouba não.


...

sábado, 7 de novembro de 2009

O Começo da Bossa Nova

Como tudo começou, segundo Vina:

"Tom, um dia, de volta da montanha, chegou à minha casa, na rua Henrique Dumont, sentou-se ao meu lado e, depois de um papo manso, pegou meu vilão e pôs-se a tocar um sambinha que logo me alertou o ouvido...
Tom repetiu-se umas dez vezes. Era uma graça total, como um tecido melancólico e plangente; e bastante "chorinho lento" no meu espírito. Eu fiquei de saída com a melodia no ouvido, e vivia a cantarolá-la dentro de casa, a espera de uma deixa para a poesia. Aquilo, sim, me parecia uma música realmente nova, original, inteiramente diversa de tudo que viera antes dela, mas tão brasileira quanto qualquer choro do Pixinguinha ou samba de Cartola. Um samba todo em voltas, onde cada compasso era uma queixa de amor, cada nota uma saudade de alguém longe.
Mas a letra não vinha, (...) eu já estava ficando furioso, pois Tom, embora não me telefonasse reclamando nada, estava esperando pelo resultado.
Uma manhã, depois da praia, subitamente a revolução chegou. Fiquei tão contente que cheguei a dar um berro de alegria, para grande susto de minhas duas filhinhas (...) Queria, depois dos sambas de Orfeu, apresentar ao meu parceiro uma letra digna de sua nova música; pois eu realmnete a sentia nova, caminhando numa direção a que não saberia dar nome ainda, mas cujo nome já estava implícito na criação. Era realmente a bossa nova que nascia, a pedir apenas na sua interpretação, a divisão que João Gilberto descobriria logo depois.
Intitulei-o Chega de Saudade recorrendo a um dos seus versos...

["Diário Carioca", 29/01/1965]

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Soneto de Aniversário

Hoje, aniversário de Vinícius de Moraes, nada melhor do que este Soneto de Aniversário, escrito pelo próprio Poetinha:

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.

Vinícius de Moraes
Rio de Janeiro, 1942



Para quem quiser ouvir suas composições e histórias, hoje farei um show em homenagem a Vinícius de Moraes, no All of Jazz:

Como dizia o Poeta
Tributo a Vinícius de Moraes
19 de outubro – 22h
All of Jazz - http://www.allofjazz.com.br/
Rua João Cachoeira, 1366
(11) 3849 1345
R$20,00 (R$10,00 consumíveis)

Ficha Técnica
Ana Gilli - http://www.myspace.com/anagillicantora/
Leandro Brenner (violão e direção musical)
Fernando Silveira (percussão)
Marina Franco (leitura de poemas)